
“Light is not so much something that reveals as it is itself the revelation…”
Sem expor em Nova York, desde 1980, o artista James Turrel apresenta um site specific magistral no Guggenheim Museum de Nova York. O artista materializa a luz no sentido da percepção criando um campo visual de luz colorida em expansão virtual e infinita.
James Turrel cria, manipulando a luz uma experiência visual com sua instalação luminosa que adere a arquitetura espacial de Frank Lloyd Wright como uma presença física e que amplifica diretamente a percepção em uma arte pictural de luz. A instalação Aten Reign de luzes coloridas toma conta da entrada do museu,subindo as rampas sinuosas, atravessando as paredes e subindo até a rotunda da arquitetura do Guggenheim Museum, em uma vivência totalmente diferente e quase estonteante de sua arquitetura.
Assim, o famoso edifício de Frank Lloyd Wright do Museu Guggenheim de Nova York, vai ficar totalmente integrado, luminoso, radiante em fusão de suas linhas arquitetônicas sinuosas com a instalação de luz e cor. A exposição começa a partir do dia 21 de junho para o público.
Com luzes azuis e rosas que se expandem pelo espaço interno e vai se integrando às linhas sinuosas das rampas, em uma experiência sensorial criando uma arte visual de luz colorida que replica em experiências óticas sem dar forma a luz e como já foi dito, continua se expandindo e adere a arquitetura espacial do arquiteto Frank Lloyd Wright. Isto é ativado na conjunção de duas partes planas que projetam a luz, em um retângulo de cor radiante que fica pairando em frente a parede frontal e, em desnível com o espaço. Outro destaque, é um quadro quase preto que vai aveludando o teto como um portal de céu noturno.
O artista provoca com estes efeitos, de luz natural e LED, a luz artificial, diversas explorações da percepção da luz, cor e espaço com um foco especial para o site specific que é sua prática artística. Ele faz assim, emergir a luz como percebemos o mundo – não é uma escultura estática, mas com ela, a percepção e o olho vai mudando com a visão da luz colorida de azul e de vários tons de rosa que desnorteia o espectador. O espectador vê um todo luminosos sem enquadramentos e experimenta os detalhes perceptivos da luz que se expande por todo o espaço onde as paredes estão iluminadas de rosas, azuis e o caminho das rampas também como um “walk in” esculpido de luz, onde se revela o fenômeno como acontecimento.

Aten Reign, luz natural e LED, James Turrell, 2013 Guggenheim Museum NYC
Com o espaço totalmente iluminado em colorido rosa, as pessoas sentadas, conversando ficam inseridas na instalação em um espaço sensitivo, onde o limite da mancha de luz adere ao infinito.
Aten Reign, 2013 é o maior projeto já requisitado ao artista e adaptado no museu e que preenche com dois volumes gigantescos de luz artificial e natural, a rotunda e todo espaço do museu. É, “ uma das maiores transformações ocorridas no museu nunca concebida antes, e onde, a instalação reconfigura Frank Lloyd Wright e, reinventa o ícone da arquitetura de curvas graciosas, e, é uma abertura de transparência visual” além de transmitir um novo sentido magnífico ao espaço – como o trabalho Skyspaces de Turrel no Japão ou o magnífico projeto Magnus Opus, da Roden Crater de 1979, no deserto do Arizona.

O artista reorienta as experiências aos visitantes da Rotunda, lá de cima até o chão da entrada do museu e assim, a instalação Aten Reign 1, determina a forma em dimensão aérea de luz colorida que ocupa todo o vão central da arquitetura de Frank Lloyd Wright e o grande vazio propondo uma nova relação e, mais que isso, uma experiência plena para o Guggenheim Museum.

Aten Reign, 2013

Aten Reign, 2013 com visitantes
Outros trabalhos do artista, estarão expostos no anexo do prédio novo do Gugenheim Museum, nas novas galerias, oferecendo um complemento e um contraponto do novo trabalho da Rotunda.
Organizado em conjunção com o Los Angeles County Museum em Los Angeles/California, o LACMA e o Fine Arts Museum de Houston, James Turrell reúne as três maiores exibições de arte nos EEUU, durante o verão de 2013.
O LACMA, Los Angeles County Museum na cidade de Los Angeles na Califórnia apresenta a exposição,” James Turrel: A restrospective” e o Fine Arts Museum de Houston no Texas expõe vários trabalhos de variadas cores do amarelo, vermelho, verde ao azul royal em uma exposição nomeada de “Light Inside”.
A curadoria da instalação Aten Reign1 é de Carmen Giménez,junto com Stephen e Nan Imid, curadores da XX Century Art além de Mat Trotman, curador-associado do Salomon Guggenheim Museum.



Instalação de luz, Anexo do Guggenheim Museum, NYC
Paralelamente, a retrospectiva do LACMA, Los Angeles County Museum of Arte explora os últimos 50 anos da obra de James Turrel , nascido em 1943, em Los Angeles e mostra as primeiras projeções de luz geométrica, gravuras e desenhos assim como, instalações que exploram a privação sensorial e requisitos aparentemente contraditório de campos de luz coloridas instáveis e também dois recentes trabalhos bidimensionais com hologramas.

Instalação no LACMA , LOS ANGELES, 2013

Raemar Pink White,1969 Shallow Space, LACMA , 2013
Como podemos ver a seguir, outros importantes trabalhos como o projeto-modelo do Roden Crater e Perceptual Cells também, estão sendo apresentados no LACMA mas com entrada limitada e através de inscrição prévia.
Portanto quem pretende visitar estas exposições deve se inscrever no museu LACMA.
Ainda também, o LACMA apresenta, o vídeo Second Meeting de 1989 de uma coleção particular que revela, dentro de um espaço especial, a pura presença física do céu, “day/night. night/day” como relata James Turrell na entrevista da ART 21 (YouTube).

Mendota Stoppages, James Turrel, 1969-1974 LACMA, 2013

Afrum (White), 1966 LACMA, 2013

Lunette, 1974, James Turrell: A Retrospective , LACMA , 2013

Skyspace I, 1974, James Turrell, a Retrospective, LACMA, 2013

PERCEPTUAL CELL,Instalattion, 2013 LACMA, Los Angeles/Califórnia
Light Reignfall é o trabalho de James Turrel concebido para as series Perceptual Cells, e consiste de uma estrutura permanente que proporciona uma experiência pela visão de um espectador de cada vez. Assistida por um assistente, o visitante entra na sala esférica e permanece em uma cama deitado por 12 minutos para assistir a uma programação de saturação de luz que o envolve em uma intensa experiência de dados muitidimensionais com uma luz poderosa e que o complexo da visão do olho humano consegue atingir.

O trabalho Perceptual Cells com a os monitores em
ação para percepção do visitante dentro da câmera redonda.
Aqui, ao entrar na capsula escura, o olho do espectador se ajusta devagar ao entorno iluminado de cores em processo de adaptação do fenômeno que ocorre na visão que enxerga e vê talvez, coisas que nem existam ali, visões do próprio olho, e também, visualiza o que a nossa mente produz.
Aqui, ocorre uma experiência com o seu próprio ser, com sensações com a infinidade do espaço e imensidão da eternidade.
Várias salas do museu ainda exibem, desenhos, plantas, dedicado ao mais importante trabalho de James Turrel que é o trabalho Roden Crater,1972- 1979, nos arredores da cidade de Flagstaff, no Arizona e que já mostramos aqui na matéria sobre HotSpots da arte contemporânea no mundo.
Roden Crater é um site specific de intervenção na paisagem atuando in progress, ou seja, que se transforma dia após dia.

RODEN CRATER ,James Turrel, site specific 1985-1987, Arizona, USA
E agora, o LACMA apresenta, pela primeira vez o projeto-modelo, os planos,desenhos, fotografias e filmes do site specific Roden Crater como podemos visualizar na foto abaixo

Modelo em argamassa da maior instalação em landsscape da Terra,
a célebre instalação, Roden Crater, 1972-1979, Flagstaff, Arizona, Texas
No começo, dos anos 70, James Turrell começou a procurar nas suas viagens com seu avião monomotor, uma área entre o Canadá e México, por mais de 100 horas, quando finalmente encontrou perto da cidade de Flagstaff, bem no meio do Arizona, no Plateau Colorado, uma cratera extinta de um vulcão. E, a partir daí, começou a transformar o vulcão em um observatório de luz que pode ser comparado a Stonehenge ou à Piramide de Gizé, ou ainda, as construções piramidais de Machu Pichu.
As influências de James Turrel não são necessàriamente, encontradas na história da arte mas preferencialmente, na arquitetura celestial de variadas civilizações avançadas.
Roden Crater, não consiste sòmente, na maior instalação de captação pelo visitante da luz celestial na Terra mas e também, no maior trabalho de arte em landscape, ou seja, ao ar livre que opera com o mínimo de luz e que observa o céu de varias formas por janelas redondas e elípticas

Roden Crater, 1972-1979, Flagsstaf, Arizona

Roden Crater, ou a Cor do Silêncio, 1972-1979, Flagstaff, Arizona
No mesmo molde de observatório, o LACMA apresenta o filme/entrevista com James Turrell,realizada no local , no início de 2013, que é Second Meeting realizado em 1989 e, que pertence a uma coleção particular.

Second Meeting, Instalação, Coleção Particular, 1989
Criado para perceber o céu de dentro de uma espaço aquitetônico de autoria do artista, com uma abertura quadrada no teto para observação, e visualizaçãoo da mudança do céu “ day to night “e “ night to day “, durante 24 horas de experiiência que consiste basicamente, ficar vendo o azul do céu se intensificando e escurecendo pelo contexto, pelas passagens de nuvens e percebendo a mudança do dia para a noite e da noite para o dia.
O espectador recebe as percepções e cria realidade ali!

Second Meeting, visão do céu azul e das nuvens
que passam rapidamente


Second Meeting com as mudanças da cor do céu quando vai chegando o entardecer.
O trabalho de James Turrell envolve as explorações no campo da luz e espaço que mostra ao espectador, em uma arte sem palavras, que impacta e surpreende o olho, corpo e mente em extrema conscientização.
Formado pelos estudos de Psicologia da Percepção e ilusões óticas, o trabalho de James Turrell nos permite ver a nós mesmos “seeing” como ele se refere no sentido de estarmos nos observando. Aproveitando a luz do por do sol ou transformando o fulgor do espaço celeste como uma tela de televisão, a arte de Turrell coloca o espectador no domínio da percepção pura. Sua fascinação pelo fenômeno da luz é finalmente, uma conexão muito pessoal, para que a humanidade se torne parte do Universo.

James Turrel, 2013
James Turrell percebe a própria experiência da luz como uma revelação e, “não como algo feito com as mãos, em action painting, nem como o trabalho de escavar a pedra para uma escultura mas como um valor de vida”. Assim, portanto a luz que sempre foi a preocupação dos artistas por séculos, em eternos questionamentos e na procura da forma de expressão, James Turrell considera a luz como phenomena.
Leonardo da Vinci, por exemplo, escreveu dois volumes sobre a importância da luz na qualidade da natureza. Os artistas do Romantismo consideravam a luz como sublime e os artistas dos ícones russos usavam acabamento em ouro para iluminar seus quadros. No Suprematismo, Malevich pintou o Quadrado branco sobre fundo branco, como pura luz e como suprema visão espacial.
Já, os pintores do século XIX encontraram na luz, o motivo e a questão de sua pintura impressionista que com suas pinceladas rápidas exprimiram verdadeiras revelações de momentos fugazes de luz e cor como Monet com suas nympheas nas águas do lago de Giverny , ou as pinturas que retratam as águas revoltas do mar da Normandia .
Mas, poderíamos dizer que nenhum artista considerou tanto a luz como o artista contemporâneo James Turrell, que usa a luz, de maneira radical, como uma experiência real na qual, os reflexos da luz interferem na maravilhosa e complexa natureza humana.
Como o artista explica seu próprio trabalho, “a luz não só algo que revela mas ela mesma, é a revelação…”